
A Justiça de São Paulo acatou a denúncia do Ministério Público e transformou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra em ré pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Além de Deolane, outras seis pessoas, incluindo Marco Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e familiares, também responderão à ação penal. A decisão foi assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista.
O que aconteceu
- A influenciadora Deolane Bezerra foi formalmente acusada pela Justiça de São Paulo e se tornou ré por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com suposta ligação ao PCC.
- Outras seis pessoas, incluindo o líder do PCC, Marcola, e seus familiares, também foram incluídas na denúncia acatada pelo Ministério Público.
- A advogada está presa preventivamente em Tupi Paulista (SP) desde 21 de maio de 2024, e a decisão da Justiça marca o início da ação penal.
A medida da Justiça não configura uma condenação, mas sim o início da fase processual, onde serão produzidas provas e apresentadas as defesas antes do julgamento final. Este julgamento determinará a eventual culpa ou inocência dos acusados.
A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio do núcleo de Presidente Prudente. Na mesma decisão, o magistrado negou o pedido da defesa de Deolane para que ela fosse transferida de unidade prisional.
Ministério Público sustenta prisão
O Ministério Público sustentou que a prisão domiciliar não é cabível em casos envolvendo organizações criminosas que atuam mediante violência. A argumentação reforça a necessidade da manutenção da prisão preventiva para a influenciadora.
A denúncia foi protocolada em 10 de junho por Gakiya e outros seis promotores – cinco de São Paulo e dois de Presidente Prudente. Conforme o documento, familiares e pessoas de confiança dos líderes do PCC recebiam determinações para distribuir recursos obtidos de forma ilícita por meio de uma empresa de transportes.
Segundo a acusação, parte desses valores era depositada em contas ligadas a Deolane Bezerra, Everton de Sousa e Paloma Sanches Herbas Camacho. Everton e Paloma são sobrinhos de Marcola, apontados como peças-chave na operação.
Ainda de acordo com o Ministério Público, relatórios de inteligência financeira, além das quebras de sigilos bancário e fiscal, apontam para a ocultação e a dissimulação de recursos ilícitos. Estes valores, posteriormente, teriam sido reinseridos na economia formal com aparência de legalidade, dificultando o rastreamento.
Com base nesses elementos, o Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Deolane Bezerra Santos, Everton de Sousa, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, e Paloma Sanches Herbas Camacho.
Defesa de Deolane e Marcola se manifesta
A defesa de Deolane Bezerra havia solicitado sua transferência para uma Sala de Estado-Maior, direito previsto no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para advogados presos antes do trânsito em julgado da condenação. De forma alternativa, pediu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, ambas negadas pelo juiz.
Inscrita na OAB, Deolane reúne, segundo o Ministério Público de Presidente Prudente, condições adequadas para permanecer na unidade prisional de Tupi Paulista. Os promotores também argumentaram que o fato de a influenciadora ter uma filha menor de 12 anos, por si só, não justifica a concessão de prisão domiciliar, devendo esse aspecto ser analisado em conjunto com os demais elementos do processo.
Em nota, o advogado Bruno Ferullo Rita, responsável pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, afirmou que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior estão custodiados em presídios federais de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a rígidas restrições de comunicação. Esta circunstância, segundo ele, inviabilizaria qualquer participação nos fatos investigados e demonstraria a inconsistência da acusação.
A defesa acrescentou que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho rejeitam integralmente as acusações formuladas pelo Ministério Público. Ainda conforme a nota, o simples vínculo familiar entre os denunciados não pode ser interpretado como prova de participação em organização criminosa, sendo inadequado utilizar a relação de parentesco como fundamento para uma acusação dessa natureza.
Sobre as movimentações patrimoniais e financeiras citadas na denúncia, os advogados informaram que todos os fatos serão esclarecidos durante a instrução processual. Serão apresentados documentos e provas para demonstrar a origem e a regularidade das operações questionadas.
Por fim, a defesa afirmou que adotará todas as medidas processuais cabíveis para contestar as acusações. O representante manifestou confiança de que, ao término da ação penal, a versão dos fatos será reconhecida pelo Poder Judiciário.
18/06/26 – 16h18minEmBrasil



