
Diretores da Polícia Federal (PF) colocaram seus cargos à disposição, nesta terça-feira (8/9), em uma reação coletiva ao afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota pública, 11 integrantes da cúpula da PF manifestaram “total apoio” aos dois delegados e classificaram como “injustificados” os ataques sofridos pela instituição ao longo do dia. Ao final do documento, todos afirmam colocar os cargos à disposição do diretor-geral substituto.
A entrega dos cargos à disposição, porém, não significa exoneração automática ou saída imediata dos diretores. A manifestação transfere ao novo comando a decisão sobre a permanência de cada integrante nos respectivos postos.
“Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”, afirmam os diretores.
O grupo também diz repudiar “toda e qualquer tentativa” de atribuir aos dois delegados ou à própria Polícia Federal uma atuação “não republicana”.
Quem colocou o cargo à disposição
Assinam a manifestação os diretores:
- Dennis Cali: Diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção;
- Fabrício Schommer Kerber: Diretor de Polícia Administrativa;
- Otavio Margonari Russ: Diretor de Combate a Crimes Cibernéticos;
- Felipe Tavares Seixas: Diretor de Cooperação Internacional;
- Helena de Rezende: Diretora de Gestão de Pessoas;
- Roberto Reis Monteiro Neto: Diretor Técnico-Científico;
- André Luis Lima Carmo: Diretor de Administração e Logística;
- Christiane Correa Machado: Diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia;
- Alexsander Castro de Oliveira: Diretor de Proteção à Pessoa;
- Ademir Dias Cardoso Júnior: Diretor de Tecnologia da Informação e Inovação;
- Humberto Freire de Barros: Diretor da Amazônia e Meio Ambiente.
Decisão
Nesta terça-feira (8/9), o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.
No documento, o ministro afirmou que a medida busca preservar as garantias funcionais da magistratura, especialmente as condições para que ministros do Supremo, o advogado-geral da União e servidores da própria Polícia Federal exerçam suas atribuições sem o que classificou como “constrangimentos ilegais”.
Além disso, ordenou que a Corregedoria da corporação instaure procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar as circunstâncias envolvendo a produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.



