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Estudo mapeia avanço dos escorpiões e coloca Bahia entre as áreas de maior risco do Brasil

A região sul da Bahia está entre as áreas de maior risco de acidentes por picada de escorpião no Brasil. Ao lado dela figura ainda o norte de Minas Gerais e o noroeste paulista. O alerta veio de um estudo publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, que analisou dados os 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024 e identificou avanço expressivo do escorpionismo pelo país, com mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes no período.

O estudo, que foi elaborado por especialistas do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, pretende apoiar ações de vigilância epidemiológica e fornecer um mapeamento detalhado das áreas de maior risco no país, contribuindo para uma alocação estratégica e eficiente dos soros utilizados para o tratamento dos quadros mais graves de envenenamento por escorpião.

Alerta 

O Nordeste e o Sudeste, que são as regiões que apresentam o maior risco de escorpionismo no Brasil, juntos respondem por 87% do total de casos registrados no país. Os principais aglomerados de alto risco concentram-se em municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, locais onde o crescimento das taxas de acidentes foi acelerado nos últimos anos.

A região em torno dos estados de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte também tem despertado preocupações, principalmente devido ao aumento de casos em zonas urbanizadas. O estado alagoano, por exemplo, atingiu mais de 270 casos por 100.000 habitantes, com risco superior de acidente (59%) entre o público feminino.

Ainda segundo o artigo, o noroeste paulista é a região mais crítica de São Paulo,. O clima quente e as áreas de intensa urbanização oferecem as condições ideais para proliferação do Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), espécie que é a principal causadora de acidentes em todo o país. Além de registrar volumes massivos de casos de picadas por escorpião, Minas Gerais destaca-se pelo alto número de óbitos, com alerta para a porção norte do estado. Vale destacar que, no Brasil, a maioria das mortes ocorre em crianças de 0 a 9 anos.

Embora a região Norte apresente uma menor incidência de acidentes registrados, o estudo alerta que a realidade pode ser outra, principalmente devido à subnotificação e às dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Em algumas áreas ribeirinhas, o acesso ao atendimento médico pode levar dias, comprometendo o tratamento dos casos graves, especialmente entre crianças. O artigo também destaca que espécies amazônicas, como o Tityus obscurus (escorpião-preto-da-Amazônia), podem provocar manifestações clínicas diferentes das comumente observadas em outras regiões do país.

As áreas classificadas como de alto risco apresentaram características semelhantes: temperaturas mais elevadas, menor volume de chuvas, menor cobertura vegetal e menores índices de alfabetização. Já os municípios com maior índice de vegetação apresentaram menor risco de acidentes, enquanto as áreas urbanas quentes e secas favoreceram a proliferação dos escorpiões.

No entanto, os indicadores climáticos, ambientais e sociodemográficos mostram que as diferenças entre as áreas de alto e baixo risco são pequenas, sugerindo uma alta capacidade adaptativa dos escorpiões. Essa característica é ainda mais evidente em espécies partenogenéticas, como o T. serrulatus e o T. stigmurus, cujas fêmeas se reproduzem sem a necessidade de acasalamento. Dessa forma, um único espécime pode se instalar em um ambiente e se proliferar rapidamente. Além disso, os acidentes também apresentaram comportamento sazonal. Os meses entre setembro e dezembro, especialmente durante a primavera, concentraram o maior risco de ocorrências em todo o país.

Como evitar e o que fazer em caso de acidente 

A picada de escorpião provoca dor imediata e intensa. Em caso de acidente, a recomendação é lavar a região com água corrente e sabão neutro, aplicar compressa morna e buscar atendimento médico rápido – especialmente no caso das crianças, que podem evoluir para quadros graves em um curto intervalo de tempo.

A maioria dos envenenamentos é leve e pode ser tratada com remédios para o controle da dor. Já os casos mais graves demandam o uso dos soros antiaracnídico ou antiescorpiônico, que são fabricados pelo Instituto Butantan.

A instituição possui também um hospital especializado no atendimento a pacientes acidentados com animais peçonhentos, o Hospital Vital Brazil, localizado dentro do Parque da Ciência, na zona Oeste da cidade de São Paulo. Caso esteja em outra localidade, confira a lista de pontos estratégicos para atendimento no estado de São Paulo e no restante do país.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Correio da Bahia, 10/06/2026
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