
O motorista Julio Cesar Jacobsen, apontado como operador financeiro de um esquema de venda ilegal de cassiterita, era o responsável por sacar e movimentar quantias milionárias do esquema investigado pela Polícia Federal e que resultou, na última semana, na Operação Disco de Ouro II. Segundo a Polícia Federal, ele sacou R$ 11,2 milhões em espécie e movimentou outros R$ 43,8 milhões, para Diego Possebon, considerado líder da organização criminosa e para quem ele atuava como “laranja”.
A operação investiga um esquema que teria movimentado cerca de R$ 246 milhões por meio da venda e exportação de cassiterita, minério conhecido no garimpo como “ouro negro” e com alto valor comercial. É da cassiterita que se estrai o estanho, por exemplo, utilizado em ligas metálicas, nas áreas de eletrônica e hidráulica, e também revestimento.
De acordo com a PF, Jacobsen é proprietário da empresa J. Cesar Jacobsen, atuava como motorista particular e foi a pessoa que mais recebeu recursos via transferência bancária entre os investigados analisados.
O motorista também era responsável por buscar e transportar pacotes de dinheiro vivo entregues por pessoas que atuavam na parte financeira. O líder da organização apenas avisava aos demais “O meu motorista tá indo aí retirar os vivos.”
Segundo a investigação, o dinheiro era recebido e, em seguida, distribuído para outras pessoas e empresas, entre elas a A.P.N. Serviços, ligada ao cantor Alexandre Pires.
O cantor voltou a ser alvo da PF nessa fase, após os agentes descobrirem indícios de recebimento de valores oriundos de uma das mineradoras investigadas. Alexandre Pires já havia sido investigado na primeira etapa, em 2023, quando, na época, foi alvo de busca e apreensão.
Na última quarta-feira (23), a nova fase da operação foi realizada por causa da descoberta da utilização de documentos com informações falsas, com o objetivo de dar aparência de regularidade ao esquema de venda e exportação da cassiterita.
A PF já sabia que o minério extraído ilegalmente era declarado como se tivesse sido retirado de uma área regular de garimpo em Itaituba (PA), sendo que a terra indígena fica entre Roraima e o Amazonas. Para a corporação, o trajeto ficava apenas na teoria e era usado para dar aparência legal.
Fonte:por Lucas Pacheco/Bnews,
Publicado em 27/09/2026, às 17h11



