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TORTURA E EXTORSÃO: MP denuncia 10 integrantes da Bamor e pede R$ 2 milhões por danos

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou dez integrantes da Bamor por crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Entre os denunciados estão o presidente, o vice-presidente, diretores da torcida organizada e um policial militar. Todos estão presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.

A denúncia foi apresentada na sexta-feira (2) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como resultado da Operação Inquisição. Segundo a acusação, os envolvidos teriam formado uma estrutura criminosa estável, com divisão de funções, e utilizado a sede da torcida, em Nazaré, para cometer crimes contra duas pessoas em julho deste ano.

De acordo com o MP-BA, as vítimas foram submetidas a violência física e psicológica para confessar supostos desvios relacionados ao sistema de gestão de associados da entidade. A acusação aponta que os denunciados teriam agido de maneira coordenada para aplicar uma espécie de punição privada.

Além da condenação pelos crimes atribuídos individualmente aos denunciados, o Ministério Público pede a manutenção das prisões preventivas, indenizações por danos materiais e morais às vítimas e o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.

Quem são os denunciados

Os dez denunciados são:

– Matheus Pires Castro, presidente da Bamor;
– Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente;
– Gabriel Pereira Silva, conhecido como Bolinha, diretor-geral;
– Daniel Sena Duarte, conhecido como Facada, diretor de sede;
– Ricardo Henrique Almeida da Silva, conhecido como Kakaroto, diretor de marketing;
– Diego Allan Conceição Sacramento, conhecido como Pitombo, diretor de patrimônio;
– Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria;
– Luiz Wagner da Silva Santana, conhecido como Waguinho, diretor de sede;
– Alan Rafael Regis Alves de Aquino, identificado na denúncia como diretor financeiro;
– Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida.

As prisões foram cumpridas em Salvador no dia 28 de setembro, por determinação judicial. Os crimes e as condutas descritos pelo Ministério Público são acusações e ainda dependem de julgamento.

Analista relatou quatro horas de violência

Uma das pessoas que denunciaram as agressões é o analista de sistemas Roberto Brito de Jesus, de 45 anos. No boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia Territorial dos Barris, ele afirmou que foi chamado à sede para prestar esclarecimentos sobre suspeitas de fraude em uma plataforma desenvolvida por ele.

O sistema era utilizado para gestão financeira, cadastro de associados e comercialização de produtos. Roberto nega ter participado de qualquer fraude.

Segundo o analista, a reunião se transformou em uma sessão de violência que durou cerca de quatro horas. Ele relatou agressões físicas, sufocamento com saco plástico e afogamento com pano e água sobre o rosto.

Roberto também afirmou que os envolvidos acessaram seu celular, visualizaram conversas privadas e copiaram imagens pessoais de sua esposa e da filha. Conforme o registro policial, transferências realizadas por meio dos aplicativos bancários dele somaram R$ 5.578,18.

O analista relatou ainda que seu carro foi vasculhado e que a chave de outro veículo de sua propriedade ficou em poder do presidente da torcida. Segundo o boletim, ele apresentava lesões no rosto, joelhos, cotovelos, tornozelos e costas após o episódio.

Investigação aponta divisão de funções

A decisão que determinou as prisões preventivas descreve diferentes participações atribuídas aos investigados. Há relatos de agressões com taco de beisebol, martelo e faca, além de ameaças de morte, acesso a celulares e participação nos episódios de sufocamento e afogamento.

Outras três pessoas foram alvos de mandados de busca e apreensão, mas não tiveram a prisão preventiva decretada naquela decisão.

Bamor negou participação dos dirigentes

Após a divulgação do relato de Roberto, a Associação Bamor Nova Era negou que o presidente, integrantes da diretoria ou representantes da entidade tivessem praticado as agressões.

Na ocasião, a torcida afirmou ter identificado indícios de irregularidades no sistema de cadastro, arrecadação de associados e venda de ingressos. Segundo a entidade, operações consideradas suspeitas teriam sido realizadas com credenciais vinculadas ao analista. Roberto nega envolvimento em fraude.

A Bamor também declarou repudiar qualquer forma de violência e afirmou que colaboraria com as autoridades. A entidade informou ainda a expulsão de um integrante por supostas irregularidades no sistema de sócios.

O espaço segue aberto para posicionamento da defesa.

 

 

 

 

 

 

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