
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concede entrevista a jornalistas em Washington, nesta quinta-feira (7/5), após o encontro de mais de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
- Eleição no Brasil
Questionado por um jornalista sobre a eleição brasileira deste ano, Lula disse não acreditar que Trump vá exercer influência no pleito.
- Tarifas
Segundo Lula, as divergências entre as delegações brasileiras e norte-americanas acerca das tarifas econômicas impostas pelos EUA não foram solucionadas durante o encontro. Apesar do impasse, o presidente do Brasil afirmou estar otimista com as negociações.
- Investimento dos EUA
O chefe do Planalto disse ter cobrado Trump que os EUA invistam mais no Brasil. “Eu disse a ele que muitas vezes nós fazemos licitações internacionais e muitas vezes os EUA não participam, quem participa são os chineses”, afirmou.
- Crime organizado
Lula afirmou que a classificação de facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho e o PCC, não foi tratada na reunião. No entanto, os líderes falaram sobre o combate ao crime organizado na América Latina.
“Estamos levando muito a sério essa questão do combate ao crime organizado. Esse negócio de dizer que as facções tomaram o território das cidades. Temos que dizer que o território é do povo, não é do crime organizado”, disse.
- Minerais críticos
Lula e Trump discutiram uma parceria sobre minerais críticos e terras raras durante a reunião. Segundo o chefe do Planalto, o Brasil não tem preferência de países para fechar parcerias.
- Cuba
No encontro, Lula disse que Trump prometeu que não vai invadir Cuba. A declaração contradiz as recentes ameaças do mandatário dos Estados Unidos contra o país caribenho. “O que eu ouvi, não sei se a tradução foi correta, de que ele disse que não pensa em invadir Cuba”, disse o presidente brasileiro ao ser questionado se a situação de Cuba foi discutida na reunião. “Isso foi dito pela intérprete, e acho que isso é um grande sinal até porque Cuba quer dialogar.”
Lula ainda se colocou como possível mediador sobre a ilha caribenha. O presidente, no entanto, não deu maiores detalhes sobre a conversa. “Se ele precisar de ajuda para discutir a situação de Cuba, eu estou inteiramente à disposição.”
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que o encontro entre os presidentes abordou temas relativos ao comércio bilateral entre Brasil e EUA e as tarifas. Minerais críticos, como as terras raras, também estiveram na pauta.
“Tudo isso se desenvolveu em um clima muito positivo, muito amistoso entre os chefes de Estado. Extrapolando todo o tempo, foi uma reunião muito produtiva em que os presidentes estabeleceram missões em cada uma das áreas”, afirmou o chanceler.
“O presidente Trump, com extrema deferência, ouviu e discutiu com toda a sua equipe atenciosamente. Nós compartilhamos com ele as nossas ideias que estão acontecendo, ele fez várias deferências elogiosas”, disse.
Durante a reunião de trabalho os líderes discutiram, entre outros temas, comércio e tarifas. Ao final do encontro, o republicano elogiou Lula e classificou a conversa como “muito produtiva”.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito produtiva”, escreveu na rede social Truth Social.
Diferentemente do que estava programado, os dois presidentes não realizaram uma coletiva de imprensa conjunta depois da reunião. O petista optou por falar com jornalistas na embaixada do Brasil em Washington.
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