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‘Nessa proporção, não lembro de nenhum acidente’: professor descreve perdas após incêndio na UFPE

20 anos de dados perdidos e cerca de R$ 100 milhões em equipamentos

Um grupo de professores e alunos voltava de uma atividade no campus Vitória quando, na van de retorno ao campus Recife, avistaram as chamas em um prédio. Eram as primeiras horas da noite da última quarta-feira (7 e, pouco depois, eles descobririam onde era o incêndio: o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, era a sede de empresas em incubação e de laboratórios, a exemplo do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (Nupi), na Cidade Universitária.

Incêndio atingiu prédio da universidade por Reprodução
Incêndio de grande proporção atingiu universidade
Universidade federal registra terceiro incêndio em oito dias e perde equipamentos e pesquisas

“Para destruir, é questão de minutos ou horas. Mas a reconstrução leva anos e você não recupera aquilo que perdeu. Tinha material acumulado de estudos de câncer, de covid-19, de células, amostras de sangue até de pessoas que já faleceram. Não tem como recuperar isso”, diz o presidente da Associação dos Docentes da Ufpe (Adufepe), Ricardo Oliveira da Silva.

“Estou na universidade há 30 anos e acidentes acontecem. Você está num ambiente de trabalho. Mas todos são pontuais e rapidamente controlados. Nessa proporção, não lembro de nenhum acidente dessa magnitude”, diz o professor Ricardo.

O prédio fica a poucos metros da Casa do Estudante, que é a residência estudantil da UFPE. “São dois prédios e estavam todos lá. Se aquilo se propaga, poderíamos ter tido perdas humanas. Felizmente, isso não ocorreu. Porque, como o material inflamável no local era em grande quantidade, controlar o fogo também é difícil”, acrescenta ele.

Incêndio atingiu prédio da universidade por Reprodução

Incêndio atingiu prédio da universidade por Reprodução

Três episódios

O primeiro incêndio ocorreu exatamente uma semana antes, no último dia 30 de setembro, no Departamento de Física. Já o segundo foi no último domingo, 4, no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências.

De acordo com ele, a comunidade acadêmica está abalada e tem feito um movimento para abraçar professores, pesquisadores e estudantes que perderam laboratórios, disponibilizando espaços em outras unidades.

“É um sentimento de solidariedade coletiva que a gente precisa para garantir o patrimônio da universidade. O sentimento é de muita tristeza por um lado, mas também de muita solidariedade e luta pela universidade. É uma instituição que está completando 200 anos com o lastro de contribuições para a sociedade que não pode se perder assim”.

Ainda na noite de quarta, políticos como o deputado federal eleito Jones Manoel (Psol-PE) denunciaram ameaças que teriam sido recebidas por estudantes horas antes do incêndio começar. O deputado compartilhou prints das ameaças com cunho político.

“A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência. Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa. Se mais alguém recebeu mensagens ou ameaças desse tipo, nos envie”, pediu Jones.

“A gente não consegue saber se a ameaça se concretizou ou se foi uma falha técnica”, diz. “A gente estava na correria de pegar as informações, tomar a decisão de onde ia denunciar – se seria à universidade ou à polícia, por ser um crime, analisar todos os prints, ver se eram os mesmos. Antes de a gente concluir isso, já estava nas redes sociais”, completa.

Everton foi um dos estudantes que esteve no local do incêndio depois que as chamas começaram. Ao chegar lá, a informação da equipe de segurança ao DCE era de que oito pessoas estavam no prédio no momento, mas que conseguiram ser afastadas a tempo. Ninguém estaria na parte onde o fogo começou.

“Ontem, quando a gente chegou, tinham algumas pessoas chorando muito, porque tinham perdido suas pesquisas, mas a gente não sabe de fato quem são as pessoas que estavam na hora que começou, porque o incêndio já tinha tomado proporções inimagináveis”.

Uma das suspeitas é de que o incêndio tenha começado a partir do ar-condicionado de uma das salas, mas a confirmação só deve vir após a perícia. A UFPE e a PF ainda não comentaram possíveis causas do fogo.

 

 

 

 

 

 

Fonte: por Thais Borges/Correio da Bahia,

Publicado em 8 de outubro de 2026 às 14:29
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